Exmo. Senhor Presidente da Assembleia Municipal,
Exmas. Senhoras e Senhores Deputados Municipais,
Exmo. Senhor Presidente da Câmara e Senhora e Senhores Vereadores,
Exmos. Senhores Presidentes de Junta de Freguesia e demais autarcas,
Senhores convidados e restantes entidades civis e militares,
Caríssimo público presente,
Profissionais da Comunicação Social,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Celebramos o 36.º Aniversário da Revolução dos Cravos, que devolveu a liberdade e a democracia ao nosso país, que terminou a Guerra, que abriu novos horizontes, que permitiu sonhar com um Portugal moderno, onde a opinião divergente e a participação de todos tem lugar.
Hoje, não vou falar da promessa por cumprir, nem da situação financeira da Autarquia, nem da estratégia de desenvolvimento que tem sido implementada no concelho, nem de que entendemos que o 25 de Abril deve ser praticado todos os dias e não evocado ou praticado só quando dá mais jeito e conforme as conveniências políticas do momento. Hoje quero apenas falar do 25 de Abril, que não vivi, para homenagear aqueles e aquelas que o tornaram possível, não evocando o nome de um ou de outro, mas o conjunto de intervenientes que há 36 anos acreditou que era possível mudar e que acreditaram na liberdade e naquilo que ela representa.
Por isso, evoco a madrugada em que o povo viu romper-se o pesadelo em que esteve mergulhado durante quase 50 anos. E do pesadelo, convém sempre lembrar, até porque muitos não o viveram, até porque alguns por vezes já o parecem ter esquecido, a ausência de liberdade, as prisões políticas como a que se encontrava instalada no local onde estamos, a tortura, a guerra, a censura, o isolamento internacional de Portugal, a falta de oportunidades e as limitações aos direitos cívicos das mulheres.
Homenageio, por isso, todos os homens e mulheres, que entregaram até mesmo a sua vida pela liberdade, os protagonistas das lutas estudantis das Universidades, os cantores de intervenção, os artistas, desde poetas aos restantes, e toda a população que anonimamente deu o seu contributo nesse dia que teve um início de nevoeiro e que foi o 25 de Abril de 1974.
Homenageio, ainda, os militares de Abril, aqueles que já partiram e os que ainda hoje nos ajudam a manter viva a história desse importante dia, passando o seu testemunho às gerações vindouras. A eles, aos que conhecemos mais concretamente, mas também aqueles que não conhecendo o seu nome, profundamente agradeço, pois foram eles que abriram as portas para que hoje esteja aqui, podendo com a criação do Poder Local Democrático representar o povo nos seus órgãos representativos. Permitam-me que lembre também os ex-autarcas já falecidos e todos os que exerceram estas funções independentemente das suas orientações políticas e pessoais. Não esqueço, também, neste momento, aqueles militares que por ironia do destino, tenham visto as suas carreiras prejudicadas, pasme-se, por terem participado na revolução que abriu as portas ao sonho e que enterrou o pesadelo.
O 25 de Abril é um misto de esperança, de onde partiu o comboio para que sonhos e utopias, de uma vida de várias e de vários portugueses pudessem ver a luz ao fundo do túnel. Mas é preciso não esquecer e ter presente que nem sempre é fácil concretizá-los. É preciso também não esquecer que todos, sem excepção nos devemos empenhar nesse desiderato, sem recorrer a justificações com o passado.
Falar do 25 de Abril é, falar também, de uma guerra colonial, que deixou marcas para muitos. Também é bom, não esquecer aqueles e as suas famílias, o seu sofrimento e a sua dor, e aquilo que enfrentaram.
Mas o 25 de Abril é de todos, de todos os portugueses, pertencendo ao seu património, transmitido de geração em geração. Por muitos erros que possam ter sido cometidos desde então, ou até mesmo, os feitos positivos, o 25 de Abril pertence a todos, está consolidado, mas isso não nos impede, pelo contrário, obriga-nos a honrar o legado de quem nesse dia ousou sonhar com um Portugal livre, justo, fraterno e democrático.
Iniciou-se, assim, há 36 anos atrás uma nova e fantástica etapa, com uma revolução, tal como disse Sophia: “como casa limpa, como chão varrido, como porta aberta, como puro início, como tempo novo, sem mancha nem vício, como a voz do mar, interior de um povo”.
Hoje, já sem nevoeiro, sem o Quinto Império de Fernando Pessoa, “É a hora”, de continuar, cumprindo inteiramente, até ao fim, o 25 de Abril e Portugal.
Disse.